Certamente a reunião deve ter sido acalorada, pois de um lado da mesa estava a ABCGIL representando o Gir Leiteiro e responsável por este aumento na procura da raça nestes últimos anos e uma associação que valoriza mais o leite no balde do que a caracterização racial dos animais, e do outro a ASSOGIR, que esta se reorganizando após passar anos sem muito destaque dentro da ABCZ e mesmo para a raça, mas que nos últimos meses tem ganhado força através de uma nova diretoria e com o crescimento da raça, é a associação mais voltada ao Gir Padrão e que valoriza as características raciais em primeiro lugar. A discussão se deu, pois o Gir tem conquistado muito do mercado, mas tem perdido a sua essência quanto aos quesitos raciais, o caso Curiosa DSIL desencadeou uma avalanche de pedidos da ASSOGIR para que houvesse um rigor maior da ABCZ para conceder registros a determinados animais, porém na reunião desta semana ficou decidido que não será mudado o estatuto que determina as características da raça, a meu ver foi a decisão correta, não que eu não seja favorável a animais mais caracterizados e estou de total acordo com o maior rigor da ABCZ para se buscar animais cada vez mais próximos do ideal da raça, porém vejo que o mercado é quem irá fazer esta seleção, hoje em dia é possível notar uma grande melhora nos animais nos pavilhões de exposição quando se falamos em caracterização, isto sem perder em produtividade, já que vemos recordes serem batidos uns atrás dos outros, portanto nada melhor que o mercado para nortear os rumos da raça. Outra definição da reunião foi a manutenção de duas pistas de julgamento, também achei correta a atitude, apesar de muito esvaziada a pista de Gir Dupla Aptidão seria muito prejudicial aos criadores deste tipo de animal concorrer contra seleções que foram em um rumo diferente na raça, acho que aos poucos sim é possível colocar animais Leiteiros em pista de Dupla Aptidão e vice-versa, mas de uma forma que não prejudique seleções que realizam sues trabalhos a anos.
Outro assunto que foi debatido na reunião e é de extrema importância para a raça é quanto ao touro Êmulo dos Poções quanto aos seus filhos e ao seu registro. Apenas uma pequena lembrança do caso, quando estourou o caso de falsificação do sêmen do Radar dos Poções foi realizado uma avaliação de seus filhos frente ao original e oficial perfil genomico do touro, porém um de seus mais famosos filhos, Êmulo dos Poções, foi atestado como não filho do Radar diferentemente do que constava no RGD, sendo assim filhos do Êmulo passaram a ter um avô desconhecido. Nesta semana a reunião decidiu com base na incerteza quanto ao verdadeiro pai do touro, passar o Êmulo dos Poções para a categoria LA, sendo assim todos os seus filhos perdem o status de PO e passam a ser LA2, a meu ver foi a atitude correta para solucionar a sinuca de bico em que a ABCZ e o MAPA se encontravam, não acho que o touro e seus filhos deixarão de ser melhores ou piores com esta atitude da ABCZ, mas certamente terão seus preços desvalorizados, uma pena para uma linhagem que conta com belos animais e espero que não se perca com este terrível caso, o único jeito de reverter este quadro é se for descoberto o verdadeiro para do Êmulo. Outro aspecto importante é quanto ao PTA do “antigo” pai do Êmulo, Radar dos Poções, no sumário da ABCZ/Embrapa, é certo que com a ajuda de seu mais famoso “filho” o Radar alcançou a posição de destaque em que se encontra, será necessário fazer uma reavaliação e reposicionar o touro, é esperar para ver aonde ele irá se colocar.

Mustang FIV Badajós, ótimo filho do Êmulo e participante do Teste de Progênie e que pela nova decisão passa a ser LA2, ao que tudo indica e estou de olho nas notificações da ABCZ, somente touros em TP poderão ser LA2.